Case 1 — Construção Civil

Contexto

Cerca de dois anos antes da pandemia, uma empresa do setor da construção civil, em forte processo de crescimento, percebeu que precisava profissionalizar sua forma de gerenciar projetos. A organização possuía elevada competência técnica, direção experiente e visão de futuro, mas ainda não dispunha de métodos estruturados para planejamento, acompanhamento, controle de custos, gestão de mudanças de escopo e avaliação consistente da rentabilidade dos projetos. O processo de transformação ocorreu em três ondas sucessivas:

Gerenciamento de Projetos → Planejamento Estratégico → PMO, Portfólio e Gestão de Riscos

Essa evolução criou uma base mais estruturada de gestão, governança e capacidade de execução.

Problema

Apesar da competência técnica e do crescimento da empresa, a gestão dos projetos ainda era predominantemente informal. Entre os principais desafios estavam:

  • dificuldade para estimar e acompanhar custos;
  • baixa visibilidade sobre margem e rentabilidade;
  • mudanças de escopo sem avaliação estruturada de impacto;
  • ausência de critérios claros de priorização;
  • dificuldade para avaliar a capacidade real das equipes;
  • informações dispersas e dependentes de profissionais-chave;
  • baixa integração entre projetos, decisões gerenciais e estratégia.

Na prática, a organização precisava responder com maior segurança a perguntas fundamentais:

Quanto este projeto realmente custa?
Qual resultado econômico ele gera?
Qual é o impacto de uma mudança solicitada pelo cliente?
Quais demandas devem receber prioridade?
A empresa possui capacidade para assumir novos compromissos?

O desafio era estruturar a gestão sem criar uma camada de burocracia incompatível com a dinâmica da empresa.

Abordagem aplicada

A transformação foi conduzida progressivamente em três etapas.

1. Gerenciamento de Projetos

Foram estruturados processos de planejamento, acompanhamento, controle de custos, gestão de mudanças e definição de responsabilidades. A equipe participou de workshops e capacitações, criando uma linguagem comum de gestão.

2. Planejamento Estratégico

Com a execução mais organizada, foi estruturado o direcionamento estratégico da empresa, utilizando ferramentas como análise SWOT, Cinco Forças de Porter e conceitos do Balanced Scorecard. Essa etapa permitiu transformar a visão de crescimento em objetivos e prioridades mais claras.

3. PMO, Portfólio e Gestão de Riscos

Na terceira etapa, estratégia e execução passaram a ser conectadas por meio de práticas de PMO e gestão de portfólio, apoiando:

  • seleção e priorização de iniciativas;
  • alocação de recursos;
  • gestão de riscos;
  • acompanhamento da execução;
  • alinhamento entre projetos e objetivos estratégicos;
  • tomada de decisão.

A lógica da transformação foi:

Gerenciar melhor os projetos → definir melhor a direção → selecionar e priorizar melhor as iniciativas.

Resultados alcançados

Entre os principais resultados observados, destacam-se:

Maior disciplina no planejamento e acompanhamento dos projetos;

Melhor visibilidade sobre custos, escopo e prioridades;

Maior clareza sobre capacidade e alocação de recursos;

Estruturação dos direcionadores estratégicos;

Integração entre estratégia, projetos, PMO, portfólio e riscos;

Maior qualidade da tomada de decisão;

Evolução para métodos mais estruturados de priorização de alternativas;

Fortalecimento da capacidade organizacional de adaptação.

A pandemia, ocorrida posteriormente, não pode ser tratada como prova causal isolada dos resultados do programa, mas funcionou como um importante teste da capacidade de organização e adaptação construída anteriormente.

Lições aprendidas

Mais do que implantar ferramentas de gestão, o trabalho criou uma arquitetura organizacional capaz de conectar estratégia, projetos, pessoas, riscos e tomada de decisão.

A principal lição foi clara:

Organizações não se tornam mais maduras apenas com novos processos. A evolução acontece quando estratégia, execução e decisão passam a funcionar como um sistema integrado.

Sua empresa enfrenta desafios semelhantes?

Se falta clareza sobre custos, prioridades ou capacidade das equipes, o diagnóstico pode ajudar a identificar os principais problemas e orientar os próximos passos.